O festival CultivAR-TE apresenta um conjunto de obras de Crispim A. Campos, que buscam representar “Os olhares na pandemia”.  Crispim é pintor autodidata, tem graduação em psicologia, mestrado em Educação, doutorado em Psicologia Social e pós doutorado em Sociologia. Atualmente é Professor Adjunto do Departamento de Medicina da UFSCar

Obra: INTERCONEXÕES
Artista: Crispim A. Campos
Técnica: monotipia, acrílico, lápis, extrato de nogueira sobre papel – 45,5 x 60 cm – 2020

 

Obra: TENSÕES
Artista: Crispim A. Campos
Técnica: monotipia, acrílico, lápis, estêncil, extrato de nogueira sobre papel – 48,0 x 65,0 cm. – 2020

 

Obra: OLHANDO Artista: Crispim A. Campos Técnica: monotipia, acrílico, lápis, extrato de nogueira sobre papel – 45,5 x 60 cm. 2020

 

Obra: VILA MEXICANA Artista: Crispim A. Campos Técnica: monotipia, acrílico, lápis, estêncil, extrato de nogueira sobre papel – 4,5 x 60 cm. – 2020

 

Além das belíssimas obras, Crispim compartilha conosco no texto “Linhas, cores e pandemia” suas percepções a respeito dos diferentes olhares ao longo do período de isolamento, representados em suas obras de maneira muito sensível e intensa. 

Linhas, cores e pandemia

Por conta da pandemia, iniciei meu período de isolamento social com minha família, como o fizeram inúmeras outras pessoas e seus familiares. 

Para resistirmos, como fazem também a maioria das pessoas, nos conectamos à mídia, ao cinema, ao rádio, à televisão, ao relato das pessoas – e nesse caso (no meu caso especificamente) às cores dessa trajetória, que em certo aspecto nos apresenta tão carente ou ausente de cores propriamente. Meu intuito foi o de tentar captar os olhares que via ou percebia (pelo relato das pessoas), nesta pandemia.

Pierre Bourdieu considerava que o capital cultural e social contribuem para fortalecer laços ou relações sociais. Habermas pondera que a experiência que expressões como a pintura e as artes nos proporcionam lança pontes sobre os abismos do conhecimento, da ética e da política no sentido de conseguir uma hegemonia, ou mesmo uma unidade entre elas. Frayze-Pereira nos diz que a expressão e a dor estão intimamente conectadas, ou seja, se existe algo que a inquietude nos provoca é a percepção da diversidade humana e da multiplicidade da vida, quando essa se encontra sob flagrante ameaça.

Assim, a  pandemia nos ameaça sistematicamente – mas nos incita a olhar e reconhecer o mundo diante da iminência de perdê-lo, ou quiçá resgatá-lo.

Tentei submeter os olhares que presenciei, através das expressões de um momento tão surpreso, assustador – tanto quanto submetido a enormes medos, tensões e apreensões.

A tentativa de capturá-los não será esquecida – e as imagens intentam essa narrativa. 

Nesse hiato de ambivalência, tentei captar a natureza ou a probabilidade que nos resta. Assim, se as cores imitam a vida, por que a vida não persistiria para referendar cores e expressões? Nossa resiliência com certeza é quem nos indicará esse percurso.

 

Em breve lançaremos o edital do Festival CultivAR-TE. Enquanto isso, vamos dialogando sobre a arte e a cultura como estratégias para o enfrentamento das adversidades que nos são impostas neste momento tão peculiar.

 

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